Restauro: Take three – Em andamento…

Depois do móvel limpo e desinfetado,  há que começar a dar um banho de tratamento, preparando-o para a pintura final.

1º Passo – Preencher as falhas  e partes desfeitas da madeira com pasta de madeira.

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2º Passo – Lixar as plataformas de zinco latonado, de recolha de água dos guarda-chuvas, com escova de aço e limpar com diluente. Deixar secar.

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3º passo – Enquanto as peças de metal secam, passar goma lama em todo o móvel, para impermeabilizar e também ajudar na conservação da madeira.

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4º Passo – À medida que o móvel  vai secando, pintar os reservatórios de metal com a tinta da cor desejada, neste caso, ouro velho “Corrostop”.

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5º Passo – Limpar e proteger o espelho, forrando-o com papel de veludo autocolante. Compor pequenas partes  em falta, algum do revestimento em folha que saiu e que permite o reflexo e a opacidade do espelho, por trás. Há falta de melhor, com este imprevisto, nada que um pouco de papel de alumínio de cozinha não resolva, colocado entre o espelho e o veludo.

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Lições do dia:

  • A pressa de querer ver o resultado final, faz perder a paciência. Há que fazer com calma, pois saltar uma etapa pode dificultar a obtenção do efeito desejado.
  • Descobri que a goma laca se faz a partir da resina produzida pelo inseto Kerria lacca.

 

 

Restauro: Take two – No aquecimento…

Após o primeiro dia de trabalho, começa a segunda temporada.

Mr. Zequinhas, na euforia do primeiro dia ter corrido tão bem, arranca da grelha de partida sem esperar por mim.

Quando chego, já estava concluído o primeiro passo e iniciado o segundo.

– Não !!! (Pensei!)  

– Não pode ser! Não posso perder pitada!

Recapitulando:

1º Passo – Fazer uma esquadria nos pés do móvel e tirar uns centímetros, para eliminar a parte desfeita pelo bicho da madeira.

2º Passo – Preparar a mente, para lixar os pulsos, a lixar. Meter mãos à obra!

3º Passo – Fico a observar tanta vontade, com a mão na lixa, em cada recanto. Fico na dúvida e deixo estar um bocado sem apresentar o plano B (afinal até arrancaram sem mim) e …, eis que saco da lixadeira automática, como um coelho que se tira da cartola! Maldade! Ih ih ih!

4º Passo – Mr. Zecas apodera-se da lixadeira e , ao volante da mesma, circula pelo móvel, como um carro numa pista de corridas. Num instante tudo fica polido. Quase nem lhe toquei, pois, ao ver o Fittipaldi com um brilhozinho nos olhos, não tive coragem de lhe tirar o brinquedo.  Mas não faz mal! Contentei-me com os recantos, também eu ao volante de um topo de gama de estimação, o meu berbequim de precisão e dos seus mil e um apetrechos: escovas, escovinhas, lixas, esmeris,….

5º Passo – Limpar o pó gerado pelo polimento com uma trincha e pano.

6º Passo – Pulverizar o móvel com desinfetante, isto é, mata bicho, para madeiras.

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7º Passo – Arranjar uma tábua para o fundo do espelho, de substituição. A outra estava podre.

Lições do dia:

  • Quanto mais depressa começares, mais depressa acabas. Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje.
  • Para a próxima, tens que ser a primeira  a pegar na lixadeira, ou ficas a chuchar no dedo.

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Restauro:Take one! – A aventura vai começar!

Apresentando: o mono!

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(Antes de ir à esteticista! 🙂 )

A aventura vai começar! Partida!

1º Passo – Medir o móvel e limpar o lixo e o pó velho (atchim, atchim, atchim,….snif, snif,… atchim!).

2º Passo – Muitos atchins e comichões depois, transportar o móvel.

Transportar um móvel deve ser a parte mais caricata e divertida do início de um processo de restauro. Encaixar a peça pretendida no espaço disponível, que não é o ideal, pode ser um ato verdadeiramente desesperante e mirabolante. A vantagem? Desenvolve- se a criatividade. Nada que um cordão e uns farrapos transformados em atilhos não consigam resolver. Chegar a casa sem o móvel ter saltado pela mala do carro, ou se ter desconchavado todo, é um feito por si só impressionante.

 

3º Passo – Desmontar o espelho e despir o móvel de lixos.

Uma parte chata, mas necessária: tirar o espelho, sem o partir, e avaliar o que está podre e é necessário tirar (frisos de madeira podres e bichosos; pregos velhos, enferrujados e sem cabeça, em risco de tatuar o corpo; peças metálicas partidas e oxidadas).

4º Passo -Dar uma banhoca ao móvel. Nada como um bom banho de água e sabão. “Mister Zequinhas”, meu fiel cavaleiro andante ajudante, divertiu-se com a mangueira, açambarcando-a. Eu bem quis um bocado, mas nem vê-la, limitando-me às funções de esfregadora, varredora de água para o esgoto e fotógrafa barata ( sem máquina, de telemóvel). Muito estimulante!

5º Passo – Suspirar de alívio. O móvel da avó, da tetaravó, ou seja lá de quem for, ainda está de pé!

Lições do dia:

  • A criatividade, na resolução de problemas, dá muito jeito.
  • Andava a dizer a palavra desconchavado, desconchavadamente mal, por lhe tirar o “d”.

 

 

Parabéns, a mim!

O meu blogue faz um aninho!  O meu bebé está de parabéns! 🙂

A data não podia ser mais especial: 25 de abril, Dia da Liberdade,  feriado nacional.

Nada melhor para comemorar este ano de vida do blogue, com  a certeza de que vivo num país ainda livre.

Para assinalar esta data, uma foto tirada hoje, de volta para visitar os meus amigos, que moram num monte com uma belíssima vista para o vale do Lima.

Já saíram do esconderijo, prontos para aproveitar os raios de Sol. Só consegui captar um deles. No fundo, eu acho que ele saiu  porque a data era especial e tinha que me fazer uma pose.

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Em abril, flores mil

Hoje (dia doze), resolvi revisitar o “meu jardim”, na procura pela minha papoila predileta. Não a tenho visto há alguns anos e tinha saudades dela. Pensei que, talvez por sorte, resolvesse presentear-me e estivesse tal como a encontrei, atrevidamente roxa, destacando-se no meio do amarelo dos pampilhos.

Às vezes, é nos dias chuvosos e incertos como o de hoje, que tenho tido a sorte de conseguir coisas diferentes, quando o instinto me diz que devo enfrentar o frio e a chuva; que vale a pena sair de casa porque algo parece conspirar a favor; ou quando, pensando não ter nada de jeito, no sítio onde tantas vezes tentei e não consegui, volto para trás para tentar mais uma foto.

Decidi voltar a seguir a inspiração e aproveitar os cinquenta minutos de luz que me restariam. Ainda que não fosse ter sorte, sempre seriam cinquenta minutos de luz e cinquenta minutos de oxigénio.

Para minha agradável surpresa, não só a papoila roxa estava lá à minha espera, como tinha outras companheiras, suas vizinhas, a sorrirem para mim. E eu, claro está, participei na festa.DSC_4996-2ass.jpg

Caminhos: reflexos de escolhas

 

Caminhos há muitos. Cada um segue o seu, ou os seus. Uns dão em encruzilhadas, outros em atalhos, uns enredam e levam ao ponto inicial, outros chegam ao fim.  Mas, apesar da incerteza do caminho que cada um trilha e do seu destino final, há uma certeza em todos eles: cada caminho é o reflexo de uma escolha e cada reflexo da escolha é uma consequência, boa ou não.

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