Em abril, flores mil

Hoje (dia doze), resolvi revisitar o “meu jardim”, na procura pela minha papoila predileta. Não a tenho visto há alguns anos e tinha saudades dela. Pensei que, talvez por sorte, resolvesse presentear-me e estivesse tal como a encontrei, atrevidamente roxa, destacando-se no meio do amarelo dos pampilhos.

Às vezes, é nos dias chuvosos e incertos como o de hoje, que tenho tido a sorte de conseguir coisas diferentes, quando o instinto me diz que devo enfrentar o frio e a chuva; que vale a pena sair de casa porque algo parece conspirar a favor; ou quando, pensando não ter nada de jeito, no sítio onde tantas vezes tentei e não consegui, volto para trás para tentar mais uma foto.

Decidi voltar a seguir a inspiração e aproveitar os cinquenta minutos de luz que me restariam. Ainda que não fosse ter sorte, sempre seriam cinquenta minutos de luz e cinquenta minutos de oxigénio.

Para minha agradável surpresa, não só a papoila roxa estava lá à minha espera, como tinha outras companheiras, suas vizinhas, a sorrirem para mim. E eu, claro está, participei na festa.DSC_4996-2ass.jpg

Caminhos: reflexos de escolhas

 

Caminhos há muitos. Cada um segue o seu, ou os seus. Uns dão em encruzilhadas, outros em atalhos, uns enredam e levam ao ponto inicial, outros chegam ao fim.  Mas, apesar da incerteza do caminho que cada um trilha e do seu destino final, há uma certeza em todos eles: cada caminho é o reflexo de uma escolha e cada reflexo da escolha é uma consequência, boa ou não.

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Preguiçar

Há sítios que nos levam literalmente ao ato de bem preguiçar e a memórias de infância dos tempos quentes de verão e do chapinhar na água, ou de um jogo de râguebi com direito a chuva, muita lama  e risota.

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À procura

Por entre as ervas e à procura de petisco, bicando aqui e acolá, cirandava pelo campo esta cegonha. Ela e mais uma companheira. Apesar da grande proximidade, deixaram-se estar, perceberam que não lhes queria mal. O pitéu que andavam a colher certamente valeria bem a pena o risco. Achei piada, pois estamos mais habituados a vê-las empoleiradas em algum suporte alto e não a alimentar-se. Fez-me lembrar os tempos de pequena, em que observava as vacas malhadas (pretas e brancas) a deleitarem-se nos campos, com a erva verdinha e fresca. As cegonhas não são vacas e não comem erva, mas também elas, com o seu preto e branco, descobriram muitos prazeres, aqui no Norte; ao ponto de se começarem a fixar por estas terras, quando antigamente nem sequer era normal vê-las na época de migração, a não ser no centro e sul do país. Sinais de mudança dos tempos…Photo at sector 412224-16-9.assred

 

 

Contradição: o Tudo e o Nada

A verdade existe na contradição: Tantas cabeças cheias de Nadas e tantas cabeças vazias de Tudos.

Na era da informação, informação, informação, informação, informação,…, “vira o disco e toca o mesmo”, temos a cabeça tão cheia de tanta coisa, nem sempre tão indispensável, que o cheio vira Nada e nos falta espaço para o Tudo, aquele Tudo essencial. Vivemos à beira do abismo, com cabeças cheias , que já nem sabem distinguir o importante e necessário, do acessório ou menos prioritário, eliminando-o ou estabelecendo prioridades.

A informação a mais, acaba por ser mais prejudicial que útil, transformando-se em desperdício, pois não é aproveitada. Não é assimilada e processada, promovendo o desenvolvimento de conexões e do pensamento. Pior, esgota o cérebro, interferindo com o seu equilíbrio,  a tranquilidade, a produtividade e a criatividade.

Imaginem como se o nosso cérebro fosse um saco de aspirador que está quase no seu limite e  por isso o aspirador não consegue aspirar como deve ser e sobreaquece; ou imaginem um carro,  sempre em andamento.

Este é o cérebro de cada vez mais adultos e, pior ainda, de um número cada vez mais crescente de crianças.  Um número vertiginoso, um panorama preocupante…

E enquanto as ditas cabeças deambulam cheias de vazio, pelo passar frenético dos dias , a vida passa, vazia de tudo.