Lugares mágicos!

Quem circula na direção do Norte Interior percebe, a cada quilómetro realizado, o porquê do fascínio que esta zona do país exerce sobre quem a visita. São os lugares, as gentes, a ruralidade, os petiscos, a sensação de poder da Natureza sobre o Homem  e o facto de que toda a vida é organizada em função das condições geográficas e climatéricas, próprias da região. São as mesmas que ajudam a ditar interessantes costumes e tradições. Em cada canto, quando menos se espera, pode aparecer algo diferente e único: um veado, uma ave de rapina, uma árvore que conta histórias, um penedo com forma humana, um pastor que surge do nada, no meio do monte, no mesmo local onde há minutos atrás não se via nada…

As Terras de Barroso, são sem dúvida especiais. As suas tradições e festividades atraem cada vez mais pessoas. Exemplo disso é a comemoração da “Sexta-Feira 13”.

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A planta dos afetos e das histórias

Haverá planta mais bela e singela, colecionadora de afetos e contadora de histórias?

Sabem do que falo?

Se não adivinharam, aqui vos deixo umas fotos que serviram de inspiração a um poema de Lúcia Ribeiro.

 

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Conhecer a autora:

http://www.facebook.com/Lucibeipoems/

http://luciaribeiro.net/

 

 

Preguiçar

Há sítios que nos levam literalmente ao ato de bem preguiçar e a memórias de infância dos tempos quentes de verão e do chapinhar na água, ou de um jogo de râguebi com direito a chuva, muita lama  e risota.

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Ainda sobre o Entrudo…

Facanito: uma palavra nova a adicionar ao meu dicionário.

O que é um facanito?

Ora aqui está!

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Um “facanito” é um careto pequenito! É uma criança que se disfarça de careto, imitando os rituais dos adultos e iniciando-se assim no perpetuar da tradição.

Sabiam? Eu não!

Mas agora já sei:

De pequenito chocalha o facanito!

Entrudo chocalheiro

Depois de uma caminhada pela zona envolvente da belíssima albufeira do Azibo, em Macedo de Cavaleiros,  foi tempo de festejar o entrudo chocalheiro, em Podence. Um Carnaval à moda antiga, uma forma de perpetuar as tradições.

Sem dúvida, genuíno e único, com os seus atrevidos e coloridos Caretos a chocalhar por todo o lado.

Um dia muito bem passado. Talvez tenha sido o arco-íris, logo pela manhã, que o abençoou.

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S.João D’Arga

A romaria de S. João D’ Arga é talvez uma das mais típicas e genuínas romarias do Norte de Portugal. Ao mosteiro chegam as gentes vindas de todo lado e das mais variadas formas: de carro, de mota, de bicicleta, a pé e até em modo trail. Mas a forma mais ancestral e típica, para quem quer viver em pleno a romaria, é chegar a pé cumprindo promessa, caminhando pelo meio dos montes ou percorrendo a estrada. Outros há, que sem promessa cumprida, percorrem os mesmos trilhos aproveitando aquilo que a zona oferece em termos de Natureza e paisagem. Outros ainda aproveitam para acampar e permanecer em Arga por uns dias. E não é de admirar que por entre os montes, seja quem vem de Nogueira, S. Salvador da Torre, ou ainda de outra freguesia qualquer, se veja acompanhar de idosos de cajado na mão, com o lenço ou boné na cabeça e chinelos no pé, a caminhar por entre as pedras com mais destreza que a malta nova. Não levam a garrafa de água, farnel, telemóvel último grito ou impermeável; apenas uns trocados, o cajado e uma grande e inabalável vontade. Diz-se que a fé e o querer movem montanhas e é verdade.
Há uns anos tive a possibilidade de fazer o percurso de Nogueira a S. João D’Arga com um grupo de amigos. Uma experiência única e inesquecível. Num percurso de algumas horas cruzamo-nos com idosos que subiam e desciam o monte como quem caminha por entre ervas. O mato e as pedras pareciam desviar-se para lhes abrir caminho. “- Está quase; falta pouco; não custa nada!”- Diziam eles a incentivar quem subia.
Nessa altura, ir a S. João D’Arga era considerado parolo por uma grande maioria de gente nova. Apenas alguns e as gerações mais velhas valorizavam. Entretanto tornou-se moda e vieram as enchentes de pessoas. Estacionar, se antes era difícil, começou a ser uma verdadeira aventura. O melhor é chegar pela manhã, ou início da tarde. Para os mais aventureiros e pacientes, acampar de véspera.
Este ano resolvi voltar e recordar os bons velhos tempos, na esperança de que sendo uma segunda-feira houvesse menos confusão. Não foi bem o que esperava! A confusão estava lá. 🙂
Durante a maior parte do dia a animação foi dominante, com a alegria das gentes, as concertinas, os cantares ao desafio e o despique entre as bandas (Banda Filarmónica da Associação Musical de Vila Nova de Anha e Banda de Música da Casa do Povo de Moreira do Lima), que muito têm contribuído para a visibilidade destas festas. Mas quis desta vez o Santinho que as coisas não corressem tão bem, porque nestes locais quem manda é a mãe Natureza. Após o cair da noite, com a mudança de tempo, a trovoada causou estragos, prejuízos, feridos e sustos!
Mas são estas coisas que provam porque é que esta é uma festa tão especial: é o espírito das gentes. As pessoas organizaram-se sem grande pânico, salvo uma ou outra situação, o que é compreensível. Poderia ter corrido bem pior. Os elementos das bandas, todos molhados e apinhados nos cobertos, no meio das pessoas e às escuras, sem parte dos instrumentos que deixados à pressa ficaram no coreto à chuva, conseguiram entreter um pouco as pessoas enquanto se aguardava o acalmar da situação.
Infelizmente, não aconteceu o grande momento da noite, porque as bandas ficaram impossibilitadas de concretizar o tão famoso e animado tocar em desafio e tiveram que se retirar. Mas a festa continuou, mesmo sem luz, com chuva e depois do sucedido. As concertinas voltaram a tocar, as pessoas a cantar e a beber o famoso jiripiti.
Quem vem a S.joão D’Arga e não experimenta o jiripiti (o bagaço com mel) não veio a S.João D’Arga.
Para quem não visitava há muito tempo, pode dizer-se que foi um a experiência eletrizante. 🙂
Para o ano, se o Santinho deixar e não sussurrar ao ouvido da Mãe Natureza, há mais!

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