Prendas bordadas de afetos…

Esta é uma história baseada em factos reais e, qualquer coincidência com a ficção, é mesmo uma inveja da ficção sobre a realidade. ☺

Era uma vez, uma linda jovem casadoira, que habilidosamente bordou um dos lençóis do seu enxoval, com as iniciais do seu nome: A. de A. S. M.. Casou com um polícia charmoso e teve quatro filhos, dois rapazes e duas raparigas, de nomes J., M., L. e A.. Quis o destino que falecesse relativamente jovem, com 56 anos, tendo apenas conhecido uma neta, a única nascida à data dos acontecimentos, filha da filha L.

A vida brindou-a, post mortem, com mais sete netos, totalizando-se assim oito, quatro rapazes e quatro raparigas, incluindo a já nascida.

Quis o mesmo destino, muitos anos mais tarde, pregar uma boa partida, fazendo aparecer o dito lençol bordado, no meio de outras lembranças, nas mãos da sua filha de nome M., enquanto vasculhava um baú. E é a partir daqui que esta história se torna mais interessante…

A sua filha de nome M., ao analisar o lençol, num momento de melancolia e reflexão, descobriu que este escondia uma linda mensagem… As iniciais do nome da sua mãe A. de A. S. M. simpatizam com as iniciais dos nomes próprios das quatro netas que teve: A., A., S. e M.. ☺

Decidida, M., resolveu cortar o lençol em quatro bocadinhos, oferecendo cada uma das letras do nome da sua mãe, às netas dela, suas sobrinhas e filha, cada uma ficando com a correspondente inicial.

A esta altura já devem ter percebido que eu sou uma dessas letras.

A minha, claro está, é o M., a primeira neta nascida e, mal esteja devidamente encaixilhada, vai descansar por cima do recém restaurado móvel, que à mesma minha avó pertenceu. ☺

Obrigada, avó A. de A. S. M.

Obrigada, tia M.

Há histórias fantásticas, não há? Daquelas em que o universo parece conspirar a seu favor…☺

A planta dos afetos e das histórias

Haverá planta mais bela e singela, colecionadora de afetos e contadora de histórias?

Sabem do que falo?

Se não adivinharam, aqui vos deixo umas fotos que serviram de inspiração a um poema de Lúcia Ribeiro.

 

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Conhecer a autora:

http://www.facebook.com/Lucibeipoems/

http://luciaribeiro.net/

 

 

Restauro: Take four – Pincel a todo o vapor!

Meteram-se a meio do caminho desta aventura do restauro, algumas prioridades, ultrapassando o diário das etapas deste processo, que ficou a modos de banho-maria, no computador.

Consegue ser mais rápida a recuperação do bengaleiro, que já terminou há séculos, do que propriamente a postagem de todos os procedimentos.

Assim sendo, finalizada a etapa número três, seguiu-se o quarto dia dedicado às manualidades.

1º Passo – Depois do móvel desinfectado, impermeabilizado e seco, chega a hora de mais uma aventura: um novo transporte do móvel, da garagem para casa.

2º Passo – Já instalado em casa, para não haver risco de riscos e poder controlar-se a pintura, o bengaleiro foi colocado num canto da sala. Seguiu-se a pintura com velatura, cor nogueira.

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3º Passo – Deixar secar.

4º Passo – Retocar com velatura, partes mal pintadas ou esquecidas.

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5º passo – Pintar uns elementos decorativos em  madeira (silvas), para adicionar ao móvel, com tinta dourado velho, para conferir algo de diferente e novo e no sentido de compor o conjunto decorativo.IMG_20180602_130029ass

6º Passo – Como o móvel não tinha gaveta, mandou-se fazer uma gaveta à medida.

Lição do dia: Passar o móvel com velatura exige paciência e pincéis bons. Pelos soltos no meio da tinta, não funciona!

Restauro: Take three – Em andamento…

Depois do móvel limpo e desinfetado,  há que começar a dar um banho de tratamento, preparando-o para a pintura final.

1º Passo – Preencher as falhas  e partes desfeitas da madeira com pasta de madeira.

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2º Passo – Lixar as plataformas de zinco latonado, de recolha de água dos guarda-chuvas, com escova de aço e limpar com diluente. Deixar secar.

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3º passo – Enquanto as peças de metal secam, passar goma lama em todo o móvel, para impermeabilizar e também ajudar na conservação da madeira.

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4º Passo – À medida que o móvel  vai secando, pintar os reservatórios de metal com a tinta da cor desejada, neste caso, ouro velho “Corrostop”.

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5º Passo – Limpar e proteger o espelho, forrando-o com papel de veludo autocolante. Compor pequenas partes  em falta, algum do revestimento em folha que saiu e que permite o reflexo e a opacidade do espelho, por trás. Há falta de melhor, com este imprevisto, nada que um pouco de papel de alumínio de cozinha não resolva, colocado entre o espelho e o veludo.

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Lições do dia:

  • A pressa de querer ver o resultado final, faz perder a paciência. Há que fazer com calma, pois saltar uma etapa pode dificultar a obtenção do efeito desejado.
  • Descobri que a goma laca se faz a partir da resina produzida pelo inseto Kerria lacca.

 

 

Restauro: Take two – No aquecimento…

Após o primeiro dia de trabalho, começa a segunda temporada.

Mr. Zequinhas, na euforia do primeiro dia ter corrido tão bem, arranca da grelha de partida sem esperar por mim.

Quando chego, já estava concluído o primeiro passo e iniciado o segundo.

– Não !!! (Pensei!)  

– Não pode ser! Não posso perder pitada!

Recapitulando:

1º Passo – Fazer uma esquadria nos pés do móvel e tirar uns centímetros, para eliminar a parte desfeita pelo bicho da madeira.

2º Passo – Preparar a mente, para lixar os pulsos, a lixar. Meter mãos à obra!

3º Passo – Fico a observar tanta vontade, com a mão na lixa, em cada recanto. Fico na dúvida e deixo estar um bocado sem apresentar o plano B (afinal até arrancaram sem mim) e …, eis que saco da lixadeira automática, como um coelho que se tira da cartola! Maldade! Ih ih ih!

4º Passo – Mr. Zecas apodera-se da lixadeira e , ao volante da mesma, circula pelo móvel, como um carro numa pista de corridas. Num instante tudo fica polido. Quase nem lhe toquei, pois, ao ver o Fittipaldi com um brilhozinho nos olhos, não tive coragem de lhe tirar o brinquedo.  Mas não faz mal! Contentei-me com os recantos, também eu ao volante de um topo de gama de estimação, o meu berbequim de precisão e dos seus mil e um apetrechos: escovas, escovinhas, lixas, esmeris,….

5º Passo – Limpar o pó gerado pelo polimento com uma trincha e pano.

6º Passo – Pulverizar o móvel com desinfetante, isto é, mata bicho, para madeiras.

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7º Passo – Arranjar uma tábua para o fundo do espelho, de substituição. A outra estava podre.

Lições do dia:

  • Quanto mais depressa começares, mais depressa acabas. Não deixes para amanhã o que podes fazer hoje.
  • Para a próxima, tens que ser a primeira  a pegar na lixadeira, ou ficas a chuchar no dedo.

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Restauro:Take one! – A aventura vai começar!

Apresentando: o mono!

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(Antes de ir à esteticista! 🙂 )

A aventura vai começar! Partida!

1º Passo – Medir o móvel e limpar o lixo e o pó velho (atchim, atchim, atchim,….snif, snif,… atchim!).

2º Passo – Muitos atchins e comichões depois, transportar o móvel.

Transportar um móvel deve ser a parte mais caricata e divertida do início de um processo de restauro. Encaixar a peça pretendida no espaço disponível, que não é o ideal, pode ser um ato verdadeiramente desesperante e mirabolante. A vantagem? Desenvolve- se a criatividade. Nada que um cordão e uns farrapos transformados em atilhos não consigam resolver. Chegar a casa sem o móvel ter saltado pela mala do carro, ou se ter desconchavado todo, é um feito por si só impressionante.

 

3º Passo – Desmontar o espelho e despir o móvel de lixos.

Uma parte chata, mas necessária: tirar o espelho, sem o partir, e avaliar o que está podre e é necessário tirar (frisos de madeira podres e bichosos; pregos velhos, enferrujados e sem cabeça, em risco de tatuar o corpo; peças metálicas partidas e oxidadas).

4º Passo -Dar uma banhoca ao móvel. Nada como um bom banho de água e sabão. “Mister Zequinhas”, meu fiel cavaleiro andante ajudante, divertiu-se com a mangueira, açambarcando-a. Eu bem quis um bocado, mas nem vê-la, limitando-me às funções de esfregadora, varredora de água para o esgoto e fotógrafa barata ( sem máquina, de telemóvel). Muito estimulante!

5º Passo – Suspirar de alívio. O móvel da avó, da tetaravó, ou seja lá de quem for, ainda está de pé!

Lições do dia:

  • A criatividade, na resolução de problemas, dá muito jeito.
  • Andava a dizer a palavra desconchavado, desconchavadamente mal, por lhe tirar o “d”.