Bem-vindo, outono!

Bem-vindo, outono!

 

Bem-vindo, outono!

Vieste confundido com o verão
Quiseste enganar-me, que brincalhão!
Mas enquanto houver praia, sol e mar
À vontade me podes enganar!

Eu não levo a mal a tua brincadeira
Com o sal na pele, sinto-me inteira
Pois trago um pedaço do meu mar amado
E o meu coração fica temperado.

Prometo brincar com as tuas folhas
Quand’ elas bailarem, soltas, pelo ar
Mas, entretanto, deixa-me assim
A sorrir, feliz, com o Sol e o Mar.

No País dos Invejosos…

Este é um artigo de pura ficção.

Qualquer semelhança com qualquer país é pura coincidência…

Qualquer semelhança com o mundo real é pura imaginação…!

No País dos Invejosos não se vai votar, porque há sempre algo mais urgente para fazer, nem que seja dar banho ao cão, e não dá jeito nenhum. Até, porque, também não vale a pena, já que é tudo a mesma coisa e o país está tão mal. Não iria mudar nada. Ou, então, vota-se sempre nos mesmos, porque já se está habituado e há que manter a tradição.

No País dos Invejosos não se vai às reuniões, porque é uma chatice falar de coisas sérias e pode perder-se a novela ou o futebol, o ginásio, a esteticista, ou o jantar que não pode ser atrasado mais meia hora, o que seria uma tragédia e a família poderia morrer de fome.

No País dos Invejosos, o jantar não pode atrasar por causa de uma reunião, mas as crianças já se podem deitar às 24h00 se for para acabar de ver o programa preferido.

No País dos Invejosos, não há dinheiro para dicionários ou livros, mas há para desembolsar, na hora, para um jogo de futebol ou as sapatilhas, penteado e calças da moda que nos fazem andar em formato fotocópia de todos os outros.

No País dos Invejosos, não são valorizadas a criatividade, originalidade e individualidade.

No País dos Invejosos, muitos coitadinhos subsidiados que se queixam que o país está mal e são muito pobrezinhos- os outros é que ganham muito- andam de Audi, BMW , Mercedes,…; constroem anexos de legalidade duvidosa que mais parecem mansões; recebem o ordenado mínimo e fazem vida de luxo; constroem oficinas caseiras para trabalho não declarado à custa do material “emprestado” pelo patrão (o tal que é um sacana); recusam cheques dentista e leite escolar porque isso é coisa de pobre; os filhos comem lanches cheios de gulodices caras onde não aparece um pão; os filhos nunca gostam da comida da cantina; os filhos já têm o telemóvel último grito da moda; etc e tal.

No País dos Invejosos, come-se sardinha e arrota-se lagosta.

No País dos Invejosos, muitos coitadinhos recebem subsídio, tendo capacidades para trabalhar.

No País dos Invejosos, não se protegem os verdadeiros necessitados.

No País dos Invejosos, os filhos dos outros não podem andar mais bem vestidos do que o(s) nosso(s).

No País dos Invejosos, os filhos do outros não podem andar em mais atividades do que o(s) meu(s).

No País dos Invejosos, as pessoas estão sempre com pressa e querem ser atendidas antes dos outros.

No País dos Invejosos, certos deficientes emocionais estacionam no lugar dos deficientes motores.

No País dos Invejosos, valoriza-se a “chico-espertice”.

No país dos Invejosos, ter mau feitio é ter personalidade e ter personalidade é ser mau feitio.

No País dos Invejosos, se alguém construiu algo de bom, ativa-se automaticamente o sistema do aparelhómetro “Deita Abaixo”.

No País dos Invejosos, não se é capaz de tentar compreender qual o bom e o mau de qualquer trabalho ou profissão.

No País dos Invejosos, não se é capaz de perceber que muitos dos rumos levados pela vida se deveram às escolhas tomadas e há que arcar com as consequências, boas ou más; que o vizinho ou colega não teve mais sorte, simplesmente fez outra escolha perante o que a vida lhe apresentou.

No País dos Invejosos, ser sapateiro, operário, pescador, agricultor ou outro, ganhando dinheiro honestamente e produzindo bens para a sociedade, ainda não é considerado nobre.

No País dos Invejosos, não se tem empatia pelas dificuldades e desgraça dos outros, porque “ ”À minha frente é que não passa!”; “Deve ser coitadinho deve…”;”Se ele tem direito a dois chouriços, eu também tenho direito a dois chouriços.”,…

No País dos Invejosos, pressupõe-se que o raríssimo ascender por mérito se deveu a aldrabice, “ filhice”, “familice”, “amigalhice” ou “horizontalice”.

No País dos Invejosos, tem-se inveja dos que subiram na vida à custa do trabalho e/ou estudo.

No País dos Invejosos, a cultura do mérito e excelência é uma miragem…

No País dos Invejosos, quer-se ganhar o mesmo que os outros, sem ter que fazer o mesmo esforço e sacrifício para lá chegar.

No País dos Invejosos, quer-se ser rico sem fazer nenhum.

No País dos Invejosos, há quem já tenha nascido cansado.

No País dos Invejosos, não há dinheiro para Cultura, Saúde, Justiça e Educação, porque foi desviado pelos invejosos, corruptos e não cidadãos.

No País dos Invejosos, todos têm que ganhar uma miséria, porque “eu também vivo na merda”.

No País dos Invejosos, sente-se raiva por alguém estar melhor do que eu…

No País dos Invejosos, todos têm que estar tão mal quanto eu estou…

No País dos Invejosos, as conquistas dos outros criam azia.

No País dos Invejosos, dá-se mais à língua do que ao cerebelo .

No País dos Invejosos, ser má língua é passatempo.

No País dos Invejosos, não há dinheiro para comida e médico, mas há para o LCD tamanho campo de futebol.

No País dos Invejosos, o luxo e o básico confundem-se.

No País dos Invejosos, as prioridades não são prioritárias…

No País dos Invejosos, ser proativo deve ser algo que vem naqueles iogurtes especiais para quem tem problemas digestivos e colesterol alto.

No País dos Invejosos, quer-se mal só por querer.

No País dos Invejosos, tem-se inveja só por ter.

No País dos Invejosos, “emprenha-se” pelos ouvidos e pelas falsas notícias.

No País dos Invejosos, decifra-se o código mas não se lê.

No País dos Invejosos, prolifera o analfabetismo funcional.

No País dos Invejosos, não se pratica a gratidão.

No País dos Invejosos, não se praticam a paciência e compreensão.

No País dos Invejosos, solidariedade e companheirismo são doenças infectocontagiosas.

No País dos Invejosos, nunca nada serve.

No País dos Invejosos, vive-se insatisfeito.

No País dos Invejosos, não se é capaz de pensar e sentir.

No País dos Invejosos, não se vê com olhos de ver.

No País dos Invejosos, não há deveres; só há direitos.

No País dos Invejosos, as regras são para os outros.

No País dos Invejosos, ser cidadão provoca comichão.

No País dos Invejosos, prolifera a miséria emocional, mental e moral.

No País dos Invejosos, a inveja e a ignorância andam de mãos dadas.

No País dos Invejosos, a ignorância saiu, sai e sairá muito cara.

No País dos Invejosos, vive-se frustrado, ressabiado, triste e deprimido.

O País dos Invejosos está condenado a morrer sufocado na própria inveja…

Pensamentos de caca…

Pensamentos de caca…

O mal da ignorância é que ela pode ser tão galopante quanto uma diarreia infecciosa.

O ignorante, assumindo a informação ignorante que lhe é dada como uma verdade absoluta,  espalha  a microbiótica ignorância  sem ter noção do grau de diarreia mental implícito, contribuindo para  a multiplicação da mesma.

E a caca espalha-se, a outros cérebros diarreicos!

Em resumo: Ler, faz bem à saúde!

 

Amor emoldurado…

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Querida avó, Ângela:

Onde quer que tu estejas;

qualquer que seja a ESTRELA que te serve de travesseiro;

e a GALÁXIA onde moras;

quero que saibas que tenho um pedaço de ti,  emoldurado;

que o teu nome, bordado com tanto carinho e desvelo num imaculado lençol de linho,  perdura agora não só no coração e na memória, mas também num lindo quadro, que mora cá em casa.

E sabes uma coisa?

Eu sou capaz de jurar que ele conversa com o bengaleiro, seu vizinho,  que também foi teu e do avó.  Às vezes, ouço-os cochichar.

Querida avó: a tua chama apagou-se cedo demais! Quero que saibas como lamento nunca poder vir a saber qual era o tom do teu cheiro e a cor da tua voz; a que sabiam os teus beijos; que desenhos faziam os teus cabelos; se sorrias como o Sol.

Mas sabes, agora que o teu brilho está mais perto de mim, abençoa-me sempre que chego a casa. E cada vez que abro a porta, enquanto sorris para mim, parece-me cheirar a rosmaninho, o mesmo dos raminhos que guardamos junto com a roupa delicada.

Querida avó, Ângela:

espero que gostes!

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Prendas bordadas de afetos…

Esta é uma história baseada em factos reais e, qualquer coincidência com a ficção, é mesmo uma inveja da ficção sobre a realidade. ☺

Era uma vez, uma linda jovem casadoira, que habilidosamente bordou um dos lençóis do seu enxoval, com as iniciais do seu nome: A. de A. S. M.. Casou com um polícia charmoso e teve quatro filhos, dois rapazes e duas raparigas, de nomes J., M., L. e A.. Quis o destino que falecesse relativamente jovem, com 56 anos, tendo apenas conhecido uma neta, a única nascida à data dos acontecimentos, filha da filha L.

A vida brindou-a, post mortem, com mais sete netos, totalizando-se assim oito, quatro rapazes e quatro raparigas, incluindo a já nascida.

Quis o mesmo destino, muitos anos mais tarde, pregar uma boa partida, fazendo aparecer o dito lençol bordado, no meio de outras lembranças, nas mãos da sua filha de nome M., enquanto vasculhava um baú. E é a partir daqui que esta história se torna mais interessante…

A sua filha de nome M., ao analisar o lençol, num momento de melancolia e reflexão, descobriu que este escondia uma linda mensagem… As iniciais do nome da sua mãe A. de A. S. M. simpatizam com as iniciais dos nomes próprios das quatro netas que teve: A., A., S. e M.. ☺

Decidida, M., resolveu cortar o lençol em quatro bocadinhos, oferecendo cada uma das letras do nome da sua mãe, às netas dela, suas sobrinhas e filha, cada uma ficando com a correspondente inicial.

A esta altura já devem ter percebido que eu sou uma dessas letras.

A minha, claro está, é o M., a primeira neta nascida e, mal esteja devidamente encaixilhada, vai descansar por cima do recém restaurado móvel, que à mesma minha avó pertenceu. ☺

Obrigada, avó A. de A. S. M.

Obrigada, tia M.

Há histórias fantásticas, não há? Daquelas em que o universo parece conspirar a seu favor…☺

Restauro:Take one! – A aventura vai começar!

Apresentando: o mono!

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(Antes de ir à esteticista! 🙂 )

A aventura vai começar! Partida!

1º Passo – Medir o móvel e limpar o lixo e o pó velho (atchim, atchim, atchim,….snif, snif,… atchim!).

2º Passo – Muitos atchins e comichões depois, transportar o móvel.

Transportar um móvel deve ser a parte mais caricata e divertida do início de um processo de restauro. Encaixar a peça pretendida no espaço disponível, que não é o ideal, pode ser um ato verdadeiramente desesperante e mirabolante. A vantagem? Desenvolve- se a criatividade. Nada que um cordão e uns farrapos transformados em atilhos não consigam resolver. Chegar a casa sem o móvel ter saltado pela mala do carro, ou se ter desconchavado todo, é um feito por si só impressionante.

 

3º Passo – Desmontar o espelho e despir o móvel de lixos.

Uma parte chata, mas necessária: tirar o espelho, sem o partir, e avaliar o que está podre e é necessário tirar (frisos de madeira podres e bichosos; pregos velhos, enferrujados e sem cabeça, em risco de tatuar o corpo; peças metálicas partidas e oxidadas).

4º Passo -Dar uma banhoca ao móvel. Nada como um bom banho de água e sabão. “Mister Zequinhas”, meu fiel cavaleiro andante ajudante, divertiu-se com a mangueira, açambarcando-a. Eu bem quis um bocado, mas nem vê-la, limitando-me às funções de esfregadora, varredora de água para o esgoto e fotógrafa barata ( sem máquina, de telemóvel). Muito estimulante!

5º Passo – Suspirar de alívio. O móvel da avó, da tetaravó, ou seja lá de quem for, ainda está de pé!

Lições do dia:

  • A criatividade, na resolução de problemas, dá muito jeito.
  • Andava a dizer a palavra desconchavado, desconchavadamente mal, por lhe tirar o “d”.