A serra mágica

Nada como tomar uma dose de 18 Km de Serra Amarela para alimentar a alma.

A Serra Amarela, no alto da sua singela, agreste e marcante presença não para de nos surpreender. No topo dela, sentimo-nos a levitar no topo do Mundo, a uns minutinhos do céu.

Em cada recanto se conta uma história, se encontra uma surpresa ou desvenda um mistério.

A Serra Amarela vicia! Ela dá-nos sempre um motivo para a voltarmos a visitar: as panorâmicas, capazes de nos fazer perder a noção de longitude e suster  a respiração; as diferentes roupagens dos montes áridos no verão, verdejantes e coloridos na primavera e abençoados pela brancura das neves, no inverno; os animais e plantas diferentes do habitual; as vacas e os garranos a pastar nos locais mais impensáveis; os cheiros e os sons da Natureza;  o calor e a luz no rosto; a dança do vento; o silêncio ensurdecedor da beleza das montanhas, pacificador do corpo e da alma,  e outras tantas coisas mais. Em cada visita há sempre algo novo para ver.  E mal a deixamos já sonhamos com a próxima aventura; o próximo tesouro que iremos descobrir, quando a calcorrearmos outra vez.

A Serra Amarela testemunha  a dureza da vida da montanha, de mãos dadas com a tenacidade das gentes da terra. Os azevinhos contam histórias seculares, amores perdidos e encontrados e as agruras da vida. O vento assobia e espalha as melodias do pastor.

A Serra Amarela é toda ela uma inspiração; um sinónimo de vida, arte e resiliência, em comunhão.

Depois de pisarmos a Serra Amarela,  nada volta a ser como antes.

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“Solzar”

É tão bom “solzar”!

“Solzar” é sorrir para o Sol e deixar que o Sol nos sorria. É a alegria de um Sol de inverno.

“Solzar” é deixar cada centímetro de pele sorver essa dádiva estelar, até que ela nos abrace com o seu calor e nos adentre todas as camadas até à alma,  fazendo-nos sentir como o mais feliz, despreocupado e esparramado sardão, a namorar o Sol.

“Solzar” é cheirar todos os cheiros que vêm agarrados aos raios de Sol e rimam com rio, campo e mar; é engolir Sol como se não houvesse amanhã, para desembolorar o corpo e a mente.

“Solzar” é despedir a escuridão e escrever com luz, na mente e no coração, imaginando a poesia dos pássaros que chegam com a primavera, as flores a sorrir nos campos e as borboletas a desenhar  bailados ao som dos chilreios maestrinos.

Em resumo: “solzar” é levar com uma bruta chapada de Sol na trombeta e agradecer por isso!

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A planta dos afetos e das histórias

Haverá planta mais bela e singela, colecionadora de afetos e contadora de histórias?

Sabem do que falo?

Se não adivinharam, aqui vos deixo umas fotos que serviram de inspiração a um poema de Lúcia Ribeiro.

 

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Conhecer a autora:

http://www.facebook.com/Lucibeipoems/

http://luciaribeiro.net/

 

 

Em abril, flores mil

Hoje (dia doze), resolvi revisitar o “meu jardim”, na procura pela minha papoila predileta. Não a tenho visto há alguns anos e tinha saudades dela. Pensei que, talvez por sorte, resolvesse presentear-me e estivesse tal como a encontrei, atrevidamente roxa, destacando-se no meio do amarelo dos pampilhos.

Às vezes, é nos dias chuvosos e incertos como o de hoje, que tenho tido a sorte de conseguir coisas diferentes, quando o instinto me diz que devo enfrentar o frio e a chuva; que vale a pena sair de casa porque algo parece conspirar a favor; ou quando, pensando não ter nada de jeito, no sítio onde tantas vezes tentei e não consegui, volto para trás para tentar mais uma foto.

Decidi voltar a seguir a inspiração e aproveitar os cinquenta minutos de luz que me restariam. Ainda que não fosse ter sorte, sempre seriam cinquenta minutos de luz e cinquenta minutos de oxigénio.

Para minha agradável surpresa, não só a papoila roxa estava lá à minha espera, como tinha outras companheiras, suas vizinhas, a sorrirem para mim. E eu, claro está, participei na festa.DSC_4996-2ass.jpg