Lugares mágicos!

Quem circula na direção do Norte Interior percebe, a cada quilómetro realizado, o porquê do fascínio que esta zona do país exerce sobre quem a visita. São os lugares, as gentes, a ruralidade, os petiscos, a sensação de poder da Natureza sobre o Homem  e o facto de que toda a vida é organizada em função das condições geográficas e climatéricas, próprias da região. São as mesmas que ajudam a ditar interessantes costumes e tradições. Em cada canto, quando menos se espera, pode aparecer algo diferente e único: um veado, uma ave de rapina, uma árvore que conta histórias, um penedo com forma humana, um pastor que surge do nada, no meio do monte, no mesmo local onde há minutos atrás não se via nada…

As Terras de Barroso, são sem dúvida especiais. As suas tradições e festividades atraem cada vez mais pessoas. Exemplo disso é a comemoração da “Sexta-Feira 13”.

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Amor emoldurado…

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Querida avó, Ângela:

Onde quer que tu estejas;

qualquer que seja a ESTRELA que te serve de travesseiro;

e a GALÁXIA onde moras;

quero que saibas que tenho um pedaço de ti,  emoldurado;

que o teu nome, bordado com tanto carinho e desvelo num imaculado lençol de linho,  perdura agora não só no coração e na memória, mas também num lindo quadro, que mora cá em casa.

E sabes uma coisa?

Eu sou capaz de jurar que ele conversa com o bengaleiro, seu vizinho,  que também foi teu e do avó.  Às vezes, ouço-os cochichar.

Querida avó: a tua chama apagou-se cedo demais! Quero que saibas como lamento nunca poder vir a saber qual era o tom do teu cheiro e a cor da tua voz; a que sabiam os teus beijos; que desenhos faziam os teus cabelos; se sorrias como o Sol.

Mas sabes, agora que o teu brilho está mais perto de mim, abençoa-me sempre que chego a casa. E cada vez que abro a porta, enquanto sorris para mim, parece-me cheirar a rosmaninho, o mesmo dos raminhos que guardamos junto com a roupa delicada.

Querida avó, Ângela:

espero que gostes!

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Prendas bordadas de afetos…

Esta é uma história baseada em factos reais e, qualquer coincidência com a ficção, é mesmo uma inveja da ficção sobre a realidade. ☺

Era uma vez, uma linda jovem casadoira, que habilidosamente bordou um dos lençóis do seu enxoval, com as iniciais do seu nome: A. de A. S. M.. Casou com um polícia charmoso e teve quatro filhos, dois rapazes e duas raparigas, de nomes J., M., L. e A.. Quis o destino que falecesse relativamente jovem, com 56 anos, tendo apenas conhecido uma neta, a única nascida à data dos acontecimentos, filha da filha L.

A vida brindou-a, post mortem, com mais sete netos, totalizando-se assim oito, quatro rapazes e quatro raparigas, incluindo a já nascida.

Quis o mesmo destino, muitos anos mais tarde, pregar uma boa partida, fazendo aparecer o dito lençol bordado, no meio de outras lembranças, nas mãos da sua filha de nome M., enquanto vasculhava um baú. E é a partir daqui que esta história se torna mais interessante…

A sua filha de nome M., ao analisar o lençol, num momento de melancolia e reflexão, descobriu que este escondia uma linda mensagem… As iniciais do nome da sua mãe A. de A. S. M. simpatizam com as iniciais dos nomes próprios das quatro netas que teve: A., A., S. e M.. ☺

Decidida, M., resolveu cortar o lençol em quatro bocadinhos, oferecendo cada uma das letras do nome da sua mãe, às netas dela, suas sobrinhas e filha, cada uma ficando com a correspondente inicial.

A esta altura já devem ter percebido que eu sou uma dessas letras.

A minha, claro está, é o M., a primeira neta nascida e, mal esteja devidamente encaixilhada, vai descansar por cima do recém restaurado móvel, que à mesma minha avó pertenceu. ☺

Obrigada, avó A. de A. S. M.

Obrigada, tia M.

Há histórias fantásticas, não há? Daquelas em que o universo parece conspirar a seu favor…☺

A planta dos afetos e das histórias

Haverá planta mais bela e singela, colecionadora de afetos e contadora de histórias?

Sabem do que falo?

Se não adivinharam, aqui vos deixo umas fotos que serviram de inspiração a um poema de Lúcia Ribeiro.

 

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Conhecer a autora:

http://www.facebook.com/Lucibeipoems/

http://luciaribeiro.net/

 

 

Restauro:Take one! – A aventura vai começar!

Apresentando: o mono!

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(Antes de ir à esteticista! 🙂 )

A aventura vai começar! Partida!

1º Passo – Medir o móvel e limpar o lixo e o pó velho (atchim, atchim, atchim,….snif, snif,… atchim!).

2º Passo – Muitos atchins e comichões depois, transportar o móvel.

Transportar um móvel deve ser a parte mais caricata e divertida do início de um processo de restauro. Encaixar a peça pretendida no espaço disponível, que não é o ideal, pode ser um ato verdadeiramente desesperante e mirabolante. A vantagem? Desenvolve- se a criatividade. Nada que um cordão e uns farrapos transformados em atilhos não consigam resolver. Chegar a casa sem o móvel ter saltado pela mala do carro, ou se ter desconchavado todo, é um feito por si só impressionante.

 

3º Passo – Desmontar o espelho e despir o móvel de lixos.

Uma parte chata, mas necessária: tirar o espelho, sem o partir, e avaliar o que está podre e é necessário tirar (frisos de madeira podres e bichosos; pregos velhos, enferrujados e sem cabeça, em risco de tatuar o corpo; peças metálicas partidas e oxidadas).

4º Passo -Dar uma banhoca ao móvel. Nada como um bom banho de água e sabão. “Mister Zequinhas”, meu fiel cavaleiro andante ajudante, divertiu-se com a mangueira, açambarcando-a. Eu bem quis um bocado, mas nem vê-la, limitando-me às funções de esfregadora, varredora de água para o esgoto e fotógrafa barata ( sem máquina, de telemóvel). Muito estimulante!

5º Passo – Suspirar de alívio. O móvel da avó, da tetaravó, ou seja lá de quem for, ainda está de pé!

Lições do dia:

  • A criatividade, na resolução de problemas, dá muito jeito.
  • Andava a dizer a palavra desconchavado, desconchavadamente mal, por lhe tirar o “d”.

 

 

Ainda sobre o Entrudo…

Facanito: uma palavra nova a adicionar ao meu dicionário.

O que é um facanito?

Ora aqui está!

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Um “facanito” é um careto pequenito! É uma criança que se disfarça de careto, imitando os rituais dos adultos e iniciando-se assim no perpetuar da tradição.

Sabiam? Eu não!

Mas agora já sei:

De pequenito chocalha o facanito!

Entrudo chocalheiro

Depois de uma caminhada pela zona envolvente da belíssima albufeira do Azibo, em Macedo de Cavaleiros,  foi tempo de festejar o entrudo chocalheiro, em Podence. Um Carnaval à moda antiga, uma forma de perpetuar as tradições.

Sem dúvida, genuíno e único, com os seus atrevidos e coloridos Caretos a chocalhar por todo o lado.

Um dia muito bem passado. Talvez tenha sido o arco-íris, logo pela manhã, que o abençoou.

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Visita a não perder!

Armando Jorge é um fotógrafo com paixão pelo retrato. A parte deste gosto pelo retrato, tem vindo a desenvolver um trabalho que tem sido excecional pelo documentar das nossas tradições, uma verdadeira homenagem às gentes e suas terras, do nosso Portugal mais genuíno. Quanto à qualidade, nem se discute! Quem percebe um mínimo de fotografia sabe da dificuldade que é fotografar em ambientes escuros, sem comprometer os trabalhos e dignificando o retratado, fazendo ainda com que este se sinta à vontade para tal.

https://www.facebook.com/portugarural/?pnref=lhc

Mais uma vez apresenta um belíssimo trabalho, desta vez de um dos Carnavais mais tradicionais, da zona Norte e interior: o entrudo na Misarela.

O entrudo é uma manifestação cultural remonta a tempos longínquos e simboliza o fim do Inverno dando entrada à…

Posted by Armando Jorge on Tuesday, February 13, 2018