Amor emoldurado…

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Querida avó, Ângela:

Onde quer que tu estejas;

qualquer que seja a ESTRELA que te serve de travesseiro;

e a GALÁXIA onde moras;

quero que saibas que tenho um pedaço de ti,  emoldurado;

que o teu nome, bordado com tanto carinho e desvelo num imaculado lençol de linho,  perdura agora não só no coração e na memória, mas também num lindo quadro, que mora cá em casa.

E sabes uma coisa?

Eu sou capaz de jurar que ele conversa com o bengaleiro, seu vizinho,  que também foi teu e do avó.  Às vezes, ouço-os cochichar.

Querida avó: a tua chama apagou-se cedo demais! Quero que saibas como lamento nunca poder vir a saber qual era o tom do teu cheiro e a cor da tua voz; a que sabiam os teus beijos; que desenhos faziam os teus cabelos; se sorrias como o Sol.

Mas sabes, agora que o teu brilho está mais perto de mim, abençoa-me sempre que chego a casa. E cada vez que abro a porta, enquanto sorris para mim, parece-me cheirar a rosmaninho, o mesmo dos raminhos que guardamos junto com a roupa delicada.

Querida avó, Ângela:

espero que gostes!

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Prendas bordadas de afetos…

Esta é uma história baseada em factos reais e, qualquer coincidência com a ficção, é mesmo uma inveja da ficção sobre a realidade. ☺

Era uma vez, uma linda jovem casadoira, que habilidosamente bordou um dos lençóis do seu enxoval, com as iniciais do seu nome: A. de A. S. M.. Casou com um polícia charmoso e teve quatro filhos, dois rapazes e duas raparigas, de nomes J., M., L. e A.. Quis o destino que falecesse relativamente jovem, com 56 anos, tendo apenas conhecido uma neta, a única nascida à data dos acontecimentos, filha da filha L.

A vida brindou-a, post mortem, com mais sete netos, totalizando-se assim oito, quatro rapazes e quatro raparigas, incluindo a já nascida.

Quis o mesmo destino, muitos anos mais tarde, pregar uma boa partida, fazendo aparecer o dito lençol bordado, no meio de outras lembranças, nas mãos da sua filha de nome M., enquanto vasculhava um baú. E é a partir daqui que esta história se torna mais interessante…

A sua filha de nome M., ao analisar o lençol, num momento de melancolia e reflexão, descobriu que este escondia uma linda mensagem… As iniciais do nome da sua mãe A. de A. S. M. simpatizam com as iniciais dos nomes próprios das quatro netas que teve: A., A., S. e M.. ☺

Decidida, M., resolveu cortar o lençol em quatro bocadinhos, oferecendo cada uma das letras do nome da sua mãe, às netas dela, suas sobrinhas e filha, cada uma ficando com a correspondente inicial.

A esta altura já devem ter percebido que eu sou uma dessas letras.

A minha, claro está, é o M., a primeira neta nascida e, mal esteja devidamente encaixilhada, vai descansar por cima do recém restaurado móvel, que à mesma minha avó pertenceu. ☺

Obrigada, avó A. de A. S. M.

Obrigada, tia M.

Há histórias fantásticas, não há? Daquelas em que o universo parece conspirar a seu favor…☺

A planta dos afetos e das histórias

Haverá planta mais bela e singela, colecionadora de afetos e contadora de histórias?

Sabem do que falo?

Se não adivinharam, aqui vos deixo umas fotos que serviram de inspiração a um poema de Lúcia Ribeiro.

 

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Conhecer a autora:

http://www.facebook.com/Lucibeipoems/

http://luciaribeiro.net/

 

 

Restauro: take six – A finalização!

O móvel secou e já tem as ferragens.

A gaveta também está seca. Faltam os retoques finais.

1º Passo – Colocar o puxador na gaveta e retocar pequenas falhas no que foi pintado. Para dar um ar e sua graça, porque faltava qualquer coisa, resolvi  conferir um laivo de cor, na gaveta, a combinar com os restantes pormenores do móvel. Com uma esponja matizei a  parte da frente, com tinta ouro velho. Deixei-a secar.

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2º Passo – Já no final do dia e com a gaveta seca e colocada no móvel, deu-se o retoque final: colocar os apliques de madeira dourados que foram colados sobre o móvel.

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3º Passo – Fotografar o resultado final!

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4º Passo – Colocar a obra, finalmente concluída, no local a ela destinado.

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Agora, o bengaleiro outrora “adormecido” irá, pelo menos, viver por mais uns anos.

Resultado aprovado?

antes e depois1

Lição final:

Fazer ouvidos moucos quando nos dizem que não vamos conseguir, é essencial para manter o foco e a determinação, porque mais vale arrepender do resultado final, do que lamentar nunca ter tentado…

 

Restauro: Take five – Falta pouco!

O móvel já está seco. Faltam os retoques finais.

1º Passo – A gaveta já está feita. Agora, resta furar a mesma, para colocar o puxador e pintá-la.telemóvel 1879red

2º Passo – Colocar o vidro, já forrado, no espaço para o efeito. Selar a parte traseira com uma tábua, de forma a proteger o vidro.telemóvel 1883red

3º Passo – Aparafusar as ferragens no lugar certo. Como as ferragens eram oito e só duas eram aproveitáveis foi necessário comprar um conjunto de peças novas.

Antes

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Depois

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Comprar as peças de forma a condizer com o móvel sem ele paracer um camafeu, foi uma peripécia. Um verdadeiro roteiro pelas casas de ferragens e antiquários.  Muitos produtos do género estão descontinuados; as últimas peças que ainda se vendem nas casas já não havia em número suficiente,;ou só havia peças modernas que em nada combinam com o bengaleiro. Finalmente lá consegui algo, a preço “razoável”, isto é, sem necessidade de assaltar um banco e o mais possível dentro do género do original.

4º Passo – Colocar as prateleiras já douradas. Engraçado como um pequeno toque faz parecer que as coisas já começam a ficar compostas.

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