Bem-vindo, outono!

Bem-vindo, outono!

 

Bem-vindo, outono!

Vieste confundido com o verão
Quiseste enganar-me, que brincalhão!
Mas enquanto houver praia, sol e mar
À vontade me podes enganar!

Eu não levo a mal a tua brincadeira
Com o sal na pele, sinto-me inteira
Pois trago um pedaço do meu mar amado
E o meu coração fica temperado.

Prometo brincar com as tuas folhas
Quand’ elas bailarem, soltas, pelo ar
Mas, entretanto, deixa-me assim
A sorrir, feliz, com o Sol e o Mar.

O meu verbo preferido…

Cascatear, é um verbo! Sabiam? Por sinal, o meu verbo preferido.

Cascateando, é o gerúndio do verbo cascatear. Como eu adoro estes gerúndios…!

E a conjugação na primeira pessoa do singular, do presente do indicativo – “eu cascateio”- , não é deliciosa?

É sim! Melhor, mesmo, só o plural: “Nós cascateamos!”.

– Ah, como é bom cascatear, por esse Portugal afora!

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Quando…formos gente!

 

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( Mata da Albergaria – Parque Nacional Peneda – Gerês)
Andámos, há anos e anos, a tratar mal a Terra, aquela que é a nossa casa, mas que muitos de nós continuam a não querer ver como a NOSSA CASA.
Há décadas que andámos a estragar aquela que é o nosso abrigo, que tudo nos dá e de onde tudo vem, que verdadeiramente nos protege e alimenta e permite beneficiar do dom da vida. E não é bom viver?
Casa não é o nosso caro apartamento construído à custa de pinheiros abatidos,  ou a casa para viver no meio dos eucaliptos (Só falta ter um “calipe”, “clipe”, “calipto”, na sala de estar!); nem é a moradia nas falésias com vista para o mar (poluído); ou ainda a casa de férias na encosta do monte prestes a derrocar ou  apinhada e em cima dos ribeiros (Acho que as pessoas ainda não descobriram que os ribeiros transbordam…); não é sequer o quintalzinho de estimação com piscina tamanho XXL.
Todos estes espaços, desde o rico casarão à casinha rústica e humilde, são apenas lugares temporários alugados e alocados a um espaço maior, a Terra.
Andámos anos a cuspir no prato que comemos e agora, nós, todos nós, andamos tristes e muito revoltados porque a Mãe Natureza nos veio castigar e cada vez mais nos castiga, tal como uma Mãe que dá um ralhete ao filho, lembrando-o das suas asneiradas.
Ainda não se percebeu que, na sua imperfeição, a Natureza é perfeita. Esquecemos constantemente o que nos diz a Lei de Lavoisier: “Na Natureza, nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. E ela lá arranja maneira de dar a volta ao assunto, nem que seja a fustigar-nos, sem dó nem piedade (Não lhe fizemos o mesmo?) para encontrar o seu equilíbrio.
As mães têm sempre ou quase sempre razão… Esta Mãe, tem toda a razão do Mundo, pois abarca um Mundo inteiro nas mãos. Devemos a ela o bater do nosso coração, mas não a guardamos nele.
Ignoramos consistentemente que, quanto mais interferimos com a Natureza , mais ajudamos a diminuir essa sua capacidade de regeneração e transformação, porque avariamos os ponteiros do relógio, aquele que cronometra o tempo da sua recuperação, ao segundo e ao minuto. Os mesmos minutos que volvidos passam a horas; as horas que se transformam em dias; os dias que passam a ser semanas, as semanas que se multiplicam em meses e anos e os anos que se sucedem em décadas.
Afinal, o que parecia ser o futuro longínquo, entretanto acontece. Depressa o inesperado se transforma em presente.
Temos aquilo que merecemos  por tudo aquilo que fizemos e temos feito mas, muito mais, por tudo aquilo que não fizemos. Por cada vez que nos calamos e consentimos.
Todos nós, direta ou indiretamente, estamos envolvidos na equação. Não há volta a dar. Vive iludido, ou sobrevive apenas, quem pensa que sim.
E, agora, só há duas hipóteses:
Continuar a pôr a culpa na polícia, no bombeiro, no mecânico, no padeiro, no professor, no médico, no agricultor, no engenheiro, no sapateiro, no político, no enfermeiro, no caçador, no advogado,  no “ti Manel”, na “tia Maria”, no padre, no “sô doutor”, na prostituta, no maluco, no bêbado, no pedófilo, no assassino, no vento, na trovoada, no S. Pedro, no Cristo, no Demo, na Sorte, nas Bruxas, no Encosto, blá blá blá; ou pôr a mão no peito e, arcando com as consequências , deitar mãos à obra, ajudando a construir uma nova história.
Quando as frutas e colheitas escassearem, ou atingirem preços exorbitantes,  vamos dedicar-nos aos passatempos preferidos (além do cabaneirar) que são reclamar e deitar as culpas nos outros,  ou vamos pensar, pensar de verdade?
Quando a comida faltar e a quantidade de lixo no mar for maior que a de peixe, vamos pensar?
Talvez! Se não estivermos já mortos.
A fome mata! E a sede mais ainda…!
Talvez…
quando formos gente de verdade!
Talvez…
se formos a tempo de o ser!

(medronhos)