Gigantones e cabeçudos

Nota: Resultado de um trabalho de composição, de foto mais quadra, para uma t-shirt,com inspiração nos Gigantones e Cabeçudos das Festas da Agonia.

 

 

Gigantone e cabeçudo

Assim é o meu amor

Teima e luta contra tudo

Quer na alegria ou na dor.

 

Gigantone é o meu amor

Cabeçudo até mais não

Animado salta e dança

Se te vê meu coração.

 

 

S.João D’Arga

A romaria de S. João D’ Arga é talvez uma das mais típicas e genuínas romarias do Norte de Portugal. Ao mosteiro chegam as gentes vindas de todo lado e das mais variadas formas: de carro, de mota, de bicicleta, a pé e até em modo trail. Mas a forma mais ancestral e típica, para quem quer viver em pleno a romaria, é chegar a pé cumprindo promessa, caminhando pelo meio dos montes ou percorrendo a estrada. Outros há, que sem promessa cumprida, percorrem os mesmos trilhos aproveitando aquilo que a zona oferece em termos de Natureza e paisagem. Outros ainda aproveitam para acampar e permanecer em Arga por uns dias. E não é de admirar que por entre os montes, seja quem vem de Nogueira, S. Salvador da Torre, ou ainda de outra freguesia qualquer, se veja acompanhar de idosos de cajado na mão, com o lenço ou boné na cabeça e chinelos no pé, a caminhar por entre as pedras com mais destreza que a malta nova. Não levam a garrafa de água, farnel, telemóvel último grito ou impermeável; apenas uns trocados, o cajado e uma grande e inabalável vontade. Diz-se que a fé e o querer movem montanhas e é verdade.
Há uns anos tive a possibilidade de fazer o percurso de Nogueira a S. João D’Arga com um grupo de amigos. Uma experiência única e inesquecível. Num percurso de algumas horas cruzamo-nos com idosos que subiam e desciam o monte como quem caminha por entre ervas. O mato e as pedras pareciam desviar-se para lhes abrir caminho. “- Está quase; falta pouco; não custa nada!”- Diziam eles a incentivar quem subia.
Nessa altura, ir a S. João D’Arga era considerado parolo por uma grande maioria de gente nova. Apenas alguns e as gerações mais velhas valorizavam. Entretanto tornou-se moda e vieram as enchentes de pessoas. Estacionar, se antes era difícil, começou a ser uma verdadeira aventura. O melhor é chegar pela manhã, ou início da tarde. Para os mais aventureiros e pacientes, acampar de véspera.
Este ano resolvi voltar e recordar os bons velhos tempos, na esperança de que sendo uma segunda-feira houvesse menos confusão. Não foi bem o que esperava! A confusão estava lá. 🙂
Durante a maior parte do dia a animação foi dominante, com a alegria das gentes, as concertinas, os cantares ao desafio e o despique entre as bandas (Banda Filarmónica da Associação Musical de Vila Nova de Anha e Banda de Música da Casa do Povo de Moreira do Lima), que muito têm contribuído para a visibilidade destas festas. Mas quis desta vez o Santinho que as coisas não corressem tão bem, porque nestes locais quem manda é a mãe Natureza. Após o cair da noite, com a mudança de tempo, a trovoada causou estragos, prejuízos, feridos e sustos!
Mas são estas coisas que provam porque é que esta é uma festa tão especial: é o espírito das gentes. As pessoas organizaram-se sem grande pânico, salvo uma ou outra situação, o que é compreensível. Poderia ter corrido bem pior. Os elementos das bandas, todos molhados e apinhados nos cobertos, no meio das pessoas e às escuras, sem parte dos instrumentos que deixados à pressa ficaram no coreto à chuva, conseguiram entreter um pouco as pessoas enquanto se aguardava o acalmar da situação.
Infelizmente, não aconteceu o grande momento da noite, porque as bandas ficaram impossibilitadas de concretizar o tão famoso e animado tocar em desafio e tiveram que se retirar. Mas a festa continuou, mesmo sem luz, com chuva e depois do sucedido. As concertinas voltaram a tocar, as pessoas a cantar e a beber o famoso jiripiti.
Quem vem a S.joão D’Arga e não experimenta o jiripiti (o bagaço com mel) não veio a S.João D’Arga.
Para quem não visitava há muito tempo, pode dizer-se que foi um a experiência eletrizante. 🙂
Para o ano, se o Santinho deixar e não sussurrar ao ouvido da Mãe Natureza, há mais!

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