Lugares mágicos!

Quem circula na direção do Norte Interior percebe, a cada quilómetro realizado, o porquê do fascínio que esta zona do país exerce sobre quem a visita. São os lugares, as gentes, a ruralidade, os petiscos, a sensação de poder da Natureza sobre o Homem  e o facto de que toda a vida é organizada em função das condições geográficas e climatéricas, próprias da região. São as mesmas que ajudam a ditar interessantes costumes e tradições. Em cada canto, quando menos se espera, pode aparecer algo diferente e único: um veado, uma ave de rapina, uma árvore que conta histórias, um penedo com forma humana, um pastor que surge do nada, no meio do monte, no mesmo local onde há minutos atrás não se via nada…

As Terras de Barroso, são sem dúvida especiais. As suas tradições e festividades atraem cada vez mais pessoas. Exemplo disso é a comemoração da “Sexta-Feira 13”.

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Amor emoldurado…

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Querida avó, Ângela:

Onde quer que tu estejas;

qualquer que seja a ESTRELA que te serve de travesseiro;

e a GALÁXIA onde moras;

quero que saibas que tenho um pedaço de ti,  emoldurado;

que o teu nome, bordado com tanto carinho e desvelo num imaculado lençol de linho,  perdura agora não só no coração e na memória, mas também num lindo quadro, que mora cá em casa.

E sabes uma coisa?

Eu sou capaz de jurar que ele conversa com o bengaleiro, seu vizinho,  que também foi teu e do avó.  Às vezes, ouço-os cochichar.

Querida avó: a tua chama apagou-se cedo demais! Quero que saibas como lamento nunca poder vir a saber qual era o tom do teu cheiro e a cor da tua voz; a que sabiam os teus beijos; que desenhos faziam os teus cabelos; se sorrias como o Sol.

Mas sabes, agora que o teu brilho está mais perto de mim, abençoa-me sempre que chego a casa. E cada vez que abro a porta, enquanto sorris para mim, parece-me cheirar a rosmaninho, o mesmo dos raminhos que guardamos junto com a roupa delicada.

Querida avó, Ângela:

espero que gostes!

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Em abril, flores mil

Hoje (dia doze), resolvi revisitar o “meu jardim”, na procura pela minha papoila predileta. Não a tenho visto há alguns anos e tinha saudades dela. Pensei que, talvez por sorte, resolvesse presentear-me e estivesse tal como a encontrei, atrevidamente roxa, destacando-se no meio do amarelo dos pampilhos.

Às vezes, é nos dias chuvosos e incertos como o de hoje, que tenho tido a sorte de conseguir coisas diferentes, quando o instinto me diz que devo enfrentar o frio e a chuva; que vale a pena sair de casa porque algo parece conspirar a favor; ou quando, pensando não ter nada de jeito, no sítio onde tantas vezes tentei e não consegui, volto para trás para tentar mais uma foto.

Decidi voltar a seguir a inspiração e aproveitar os cinquenta minutos de luz que me restariam. Ainda que não fosse ter sorte, sempre seriam cinquenta minutos de luz e cinquenta minutos de oxigénio.

Para minha agradável surpresa, não só a papoila roxa estava lá à minha espera, como tinha outras companheiras, suas vizinhas, a sorrirem para mim. E eu, claro está, participei na festa.DSC_4996-2ass.jpg

À procura

Por entre as ervas e à procura de petisco, bicando aqui e acolá, cirandava pelo campo esta cegonha. Ela e mais uma companheira. Apesar da grande proximidade, deixaram-se estar, perceberam que não lhes queria mal. O pitéu que andavam a colher certamente valeria bem a pena o risco. Achei piada, pois estamos mais habituados a vê-las empoleiradas em algum suporte alto e não a alimentar-se. Fez-me lembrar os tempos de pequena, em que observava as vacas malhadas (pretas e brancas) a deleitarem-se nos campos, com a erva verdinha e fresca. As cegonhas não são vacas e não comem erva, mas também elas, com o seu preto e branco, descobriram muitos prazeres, aqui no Norte; ao ponto de se começarem a fixar por estas terras, quando antigamente nem sequer era normal vê-las na época de migração, a não ser no centro e sul do país. Sinais de mudança dos tempos…Photo at sector 412224-16-9.assred

 

 

Contradição: o Tudo e o Nada

A verdade existe na contradição: Tantas cabeças cheias de Nadas e tantas cabeças vazias de Tudos.

Na era da informação, informação, informação, informação, informação,…, “vira o disco e toca o mesmo”, temos a cabeça tão cheia de tanta coisa, nem sempre tão indispensável, que o cheio vira Nada e nos falta espaço para o Tudo, aquele Tudo essencial. Vivemos à beira do abismo, com cabeças cheias , que já nem sabem distinguir o importante e necessário, do acessório ou menos prioritário, eliminando-o ou estabelecendo prioridades.

A informação a mais, acaba por ser mais prejudicial que útil, transformando-se em desperdício, pois não é aproveitada. Não é assimilada e processada, promovendo o desenvolvimento de conexões e do pensamento. Pior, esgota o cérebro, interferindo com o seu equilíbrio,  a tranquilidade, a produtividade e a criatividade.

Imaginem como se o nosso cérebro fosse um saco de aspirador que está quase no seu limite e  por isso o aspirador não consegue aspirar como deve ser e sobreaquece; ou imaginem um carro,  sempre em andamento.

Este é o cérebro de cada vez mais adultos e, pior ainda, de um número cada vez mais crescente de crianças.  Um número vertiginoso, um panorama preocupante…

E enquanto as ditas cabeças deambulam cheias de vazio, pelo passar frenético dos dias , a vida passa, vazia de tudo.

Entrudo chocalheiro

Depois de uma caminhada pela zona envolvente da belíssima albufeira do Azibo, em Macedo de Cavaleiros,  foi tempo de festejar o entrudo chocalheiro, em Podence. Um Carnaval à moda antiga, uma forma de perpetuar as tradições.

Sem dúvida, genuíno e único, com os seus atrevidos e coloridos Caretos a chocalhar por todo o lado.

Um dia muito bem passado. Talvez tenha sido o arco-íris, logo pela manhã, que o abençoou.

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Visita a não perder!

Armando Jorge é um fotógrafo com paixão pelo retrato. A parte deste gosto pelo retrato, tem vindo a desenvolver um trabalho que tem sido excecional pelo documentar das nossas tradições, uma verdadeira homenagem às gentes e suas terras, do nosso Portugal mais genuíno. Quanto à qualidade, nem se discute! Quem percebe um mínimo de fotografia sabe da dificuldade que é fotografar em ambientes escuros, sem comprometer os trabalhos e dignificando o retratado, fazendo ainda com que este se sinta à vontade para tal.

https://www.facebook.com/portugarural/?pnref=lhc

Mais uma vez apresenta um belíssimo trabalho, desta vez de um dos Carnavais mais tradicionais, da zona Norte e interior: o entrudo na Misarela.

O entrudo é uma manifestação cultural remonta a tempos longínquos e simboliza o fim do Inverno dando entrada à…

Posted by Armando Jorge on Tuesday, February 13, 2018